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Soluções para Pobreza na América Latina

A pobreza tem sido uma constante na história humana, foi apenas nos últimos anos que a previdência social atingiu uma grande parte da população. Um olhar rápido para um mapa mundial sobre a industrialização mostra uma ligação clara entre a pobreza e a falta de industrialização. Para dar alguns exemplos, os países africanos têm muito poucas indústrias e mais pobreza. A maioria dos países da América Latina tem algumas indústrias e menos pobreza, e os países mais industrializados como EUA, Europa Ocidental e Japão são os mais ricos com a menor quantidade de pobreza. A Grã-Bretanha foi o primeiro país a se industrializar, e não deixou que suas colônias a imitassem para manter uma vantagem sobre os outros. A atitude é repetida e praticada pela maioria dos países ricos através do comércio e das finanças, aumentando assim a brecha entre ricos e pobres. Isso é historicamente explicado em um livro do economista norueguês Erik Reinert chamado “Como os países ricos ficaram ricos e por que os países pobres continuam pobres”.

As Causas da Pobreza

Para pessoas familiarizadas com a história da América Latina, eles podem ter ouvido falar da Doutrina Monroe, uma política externa dos EUA que sustenta que a América Latina deve resistir ao colonialismo europeu, mas que a influência americana é boa. Vou dar uma breve história da Nicarágua para mostrar do que estou falando. De 1893 a 1909, o presidente da Nicarágua era José Santos Zelaya, ele estava interessado em criar um canal transoceânico com a ajuda da França (ou Alemanha) e do Japão mesmo depois que os EUA decidiram construir o canal no Panamá. Zelaya foi retirado do poder por uma rebelião ajudada pelos EUA em 1909. Em 1912, os infantaria naval americana invadiu o país e permaneceram até 1933 deixando uma ditadura que durou até 1979. Nesse ano rebeldes comunistas tomaram o poder, e uma guerra financiada pelos EUA foi travada dos países vizinhos. Finalmente, a guerra terminou em 1990 com um novo governo, mas a Nicarágua é até hoje um dos países mais pobres do hemisfério ocidental.

Coerção e golpes ainda são realizados pelos EUA na América Latina, Venezuela e Honduras são os exemplos mais recentes. Essas ações são explicadas com a desculpa de defender a democracia e a paz. Além disso, várias organizações são responsáveis em “ajudar” países pobres. Empréstimos e políticas são dadas por organizações como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização Mundial do Comércio (OMC). O dinheiro e as políticas simplesmente não funcionam porque elas não estão destinadas para ajudar a desenvolver os países pobres. Além da dívida crescente, o resto do dinheiro é roubado por políticos corruptos, para ajudar a corporações transnacionais ou para financiar “instituições democráticas e de segurança” (isto é, comprar armas e equipamentos dos EUA e garantir que as políticas nacionais não sejam implementadas). Políticas que criam empregos e indústrias para países pobres não são permitidas. “Você precisa abrir o país para o mercado internacional e investidores estrangeiros” eles dizem, e o que acontece? Mais pobreza, é claro. Os países ricos não seguem o conselho dado aos países pobres. Os EUA bloqueiam Huawei e estão tentando bloquear TikTok. É por razões de segurança eles dizem. Na realidade, é para proteger seus negócios da concorrência. Os europeus fazem o mesmo para proteger as suas indústrias. Apenas países pobres não podem proteger suas indústrias fracas, muito menos para criar novas.

Explotação do Trabalho

A globalização está sendo reduzida agora que a China pode produzir mais e mais barato. Há tantos exemplos de padrões duplos. Eu poderia dar muitos exemplos de como países são pressionado por os EUA para que as empresas possam explorar o trabalhador, do Haiti à Bolívia, mas eu escolherei Chiquita-a famosa empresa de bananas. Chiquita acabou de perder em uma ação judicial após 17 anos; a empresa de banana é culpada de financiar uma organização terrorista na Colômbia por anos. Nós só sabemos sobre isso porque alguns americanos morreram, mas a história desta empresa, que no passado era conhecida como United Fruits vai mais fundo. A partir desta entrevista de NPR podemos conhecer sobre os laços entre os EUA e esta empresa específica, mas é o mesmo com qualquer outra indústria:

GROSS: O governo dos EUA interveio na América Latina em nome da United Fruits?

Sr. KOEPPEL: Repetidamente e terrivelmente. O governo americano teve tudo a ver com as empresas de bananas. Eles estavam entrelaçados um com o outro. Havia relações corporativas, relações de sala de diretoria, relacionamentos familiares, o Exército dos Estados Unidos e as políticas externas dos Estados Unidos estavam trabalhando no chamado das empresas de banana, e repetidamente, você veria a infantaria naval dos EUA vindo para ajudar a esmagar uma greve de banana ou ajudar a esmagar um movimento operário.

Bem, qualquer movimento operário ou ação trabalhista na América Central seria uma ação de banana. Era a única indústria por aí. De vez em quando, veriam a infantaria pousar. Você veria a CIA envolvida na criação de propaganda. Qualquer líder que fosse contra as empresas de banana ou mesmo simplesmente queria um salário justo para seu povo seria imediatamente deposto, às vezes assassinado, muitas vezes humilhado, e isso aconteceu mais de 20 vezes entre 1900 e 1955.

Estou escrevendo sobre isso, não porque eu apoio governos como os da Venezuela e da Nicarágua. O resultado é sempre pior. Mas o mais importante é que todos saibam como as coisas são realmente sem propaganda de um ou outro lado. Os países são pobres através da exploração bem planejada.



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